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A família e nossas escolhas em As Dusk Falls — Análise

Atualizado: 1 de out. de 2023

Não é difícil imaginar que você já tenha pensando várias vezes em alguma das escolhas que fez no caminhar de sua vida, é certo que dessas escolhas existe inúmeros pensamentos passando à sua cabeça de que aquela possa ter sido a escolha errada a ser tomada e um arrependimento surge ao se recordar deste momento, mas como todos sabemos: voltar no tempo é impossível e, por mais que quando olhamos para o espaço vemos o passado, isso não vale de nada para nossa vida.


Todos os dias fazemos uma escolha que podemos considerar insignificante mas que no futuro podem voltar como um peso nas nossas costas, pode parecer até um exagero de certo modo, porém, basta pensar que você vai se recordar de algo assim; um momento em que você deixa a torneira um pouco aberta e não acha nada demais para quando voltar, encontrar tudo alagado. É nesse tipo de ideia e pensamento que As Dusk Falls quer fazer o jogador refletir em uma trama madura e profunda, cada momento é único onde não vai ser só uma fala que vai resultar em uma morte mas sim o conjunto de ações que tomamos durante a trama.

Vince e Michelle conversando sobre sua atual situação

As Dusk Falls é um daqueles jogos que facilmente passariam despercebidos pelo grande público caso não fossem publicados por uma marca conhecida, um jogo de design diferente para os que se vê nos grandes lançamentos e até mesmo para seus “parentes” de gênero, utilizando de FMVs (Full Motion Video) que são posteriormente transformados em quadros, o título trabalha com uma narrativa adulta onde não existe um herói ou vilão; mas sim pessoas com problemas. Com uma história profunda e personagens humanos, o título não te dá a mão e deixa que você decida por si mesmo o caminho a ser tomado com apenas um porém: assim como na nossa vida, nada vai sair conforme o planejado.


Com uma trama que trabalha diversas temáticas de maneira madura, seu principal foco é em três dos temas apresentados sendo estes a família, nossas escolhas e a falta das mesmas. Desde seu início a obra quer ter passar uma mensagem forte de como um simples erro pode se transformar em uma bola de neve que cresce a cada segundo e como desviar dessa bola é bem mais difícil do que parar a mesma pois a cada esquiva uma nova bola desce em sua direção. Diferente de como alguns jogos tentam focar na perspectiva de apenas um ou três personagens, em As Dusk Falls mais da metade do elenco é “jogável” e explorado na narrativa de uma forma que você não pense que aquele personagem em questão foi mal desenvolvido.


O desenvolvimento é um ponto muito bem explorado na trama, indo desde a forma que foram escritos e apresentados quanto na sua atuação que trás ainda mais intensidade para os mesmos que, por mais que sejam quadros, existe um dinamismo para que não se torne tudo um simples power point o que é bem utilizado com a junção de cenários completamente 3D transformando tudo em algo mais vivo com as animações de fundo o que é ainda melhor quando une tudo à trilha sonora que sempre gera um misto de emoções e compõem bem sua função em aumentar a dramaticidade dos eventos.


A gameplay de As Dusk Falls é bastante simples: a história anda e você escolhe opções de diálogos ou ações. O ponto com maior diferenciação de outros títulos do mesmo segmento é o fator das rotas que funcionam de forma parecida como as de uma visual novel. O jogo tem sim um início, meio e fim mas como esse meio será só dependerá de suas decisões podendo até mesmo ter o “fim” de arcos antes do tempo “correto”. A todo momento a obra vai te jogar questionamentos difíceis não só nos momentos tensos, uma conversa até mesmo simples por exemplo pode causar uma irritação, tristeza ou alegria o que torna cada resposta única que te leva para uma rota diferente de um cenário e isso se deve por uma árvore de eventos criada para o título onde uma única decisão pode levar até quatro a seis finais e no meio disso alguma decisão pode ser diretamente ou indiretamente influenciável para algum evento futuro e nisso entra outro ponto que é os quick-time events que fazem um papel parecido com as escolhas, se você errar algum deles pode acabar criando um novo final e eventos que só ocorrem com este erro o que acaba tornando o fator replay bastante atrativo para os que querem ver todas as rotas e eventos possíveis.


Quando se pensa em todos os aspectos unidos, fica visível o quão apaixonado os envolvidos eram no projeto e como tudo a sua volta foi bem executado, de problemas o jogo não me apresentou nenhum, porém, como não joguei o modo multiplayer, não sei responder como ele é. No fim, As Dusk Falls é um jogo que trás uma mensagem forte sobre como as decisões podem moldar nosso futuro e que uma vida pode ser completamente desviada de seus próprios desejos e objetivos por algo que ela não possui nenhum tipo de controle tendo de lidar com isso pelo resto da mesma e como apenas um perdão ou reconhecimento de seus erros pode limpar uma mente que a muito tempo se via perdida em arrependimentos.

Dois dos tDois dos três irmãos Holt rindo enquanto fazem um descanso.

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