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Grigon Entertainment e sua queda imprevista – Artigo

Atualizado: 26 de out. de 2023


 

Em um mercado tão grande quanto o de jogos é comum que diversas empresas nasçam e morram sem que o grande público a conheça, porém, com o avanço da tecnologia e da globalização, as pessoas conseguiram acesso a jogos que nunca saíram de seus respectivos países, incentivando a criação de sites, blogs e bibliotecas virtuais apenas para armazenar o conhecimento de entrevistas raras e projetos que nunca viram a luz do dia.


É graças a isso que desde os anos 2000 o mercado sul-coreano chama a atenção de todo o mundo com sua longa história, principalmente por conta de seus Multiplayers Massivos Online (MMO’S) como Dungeon Fighter Online (2005), Black Desert (2014), Lost Ark (2019), Lineage (1998) e outros mais, já que os exemplos não são poucos. Considerando tudo isso, dentre os que mais fizeram sucesso está Cartoon Network Universe: Fusionfall (2009), que apelava para as crianças da época que gostavam de rock, shooters e, acima de tudo, os desenhos da Cartoon Network.

Grigon Entertainment não só desenvolveu Fusionfall como também é uma das empresas mais importantes do seu país, pois foi uma das primeiras a abrir portas para o mercado externo. Sua história e importância vem bem antes de sua criação e somente graças a bibliotecas virtuais e sites de notícias, que por algum motivo ainda estão ativos, este artigo se tornou possível.


Garam & Baram
Logo da Garam & Baram

Nossa história se inicia no longínquo ano de 1992 quando Kim Mukwang começou a trabalhar em um jogo baseado no manhwa cyberpunk Heavy Metal 6. Todavia, os projetos só se tornaram sérios quando um grupo de desenvolvedores se juntou para adaptar o manwha 8 Yongsin Jeonseol (The Legend of Eight Dragons), após conseguirem os seus direitos, tudo sob sob o guarda-chuva da Mips Soft.


Esta, por sua vez, foi uma desenvolvedora que ficou popular na Coreia por, assim como a Bandai Namco, produzir diversos jogos com base em licenças de manhwas populares. Além disso, a Mips também foi uma das primeiras a promover um show ao vivo para compartilhar a Original Soundtrack (OST) de seus jogos. Entretanto, por conta de uma série de péssimas decisões, a empresa foi fechada em 2002.


De qualquer forma, nessa época o grupo ainda era chamado de Garam & Baram, sendo apenas um time de desenvolvimento aliado a Mips, até que deixaram um dos projetos para trás devido a uma série de problemas. Infelizmente, a parceria seguinte foi ainda menos alegre, já que trabalhavam numa espécie de porão, inclusive perdendo um de seus projetos por conta de uma enchente.


Mesmo com as condições precárias e uma pressão extrema por parte da Kama Digital Entertainment, conseguiram lançar seu primeiro jogo, Leithian: In the Abyss (1999), completamente inacabado. Isto foi um basta para a equipe, que então decidiu fundar sua própria empresa em abril de 1999 com a ajuda dos pais de um dos membros, Yang Kwangsub (o seu pai ficou com o título de presidente).


Mira Space
Capa de Zaphie (1999)

Esta foi uma organização que supostamente trabalhou junto com a Garam & Baram em um de seus projetos, mas infelizmente existe pouquíssima documentação sobre ela. Não existem dados concretos sobre sua fundação, apenas uma especulação datada em 1998. Seu fundador, entretanto, é conhecido: Yi Gangik, que trabalhava com a sua equipe em uma sala de universidade emprestada. Zaphie (1999), um horror point-and-click, foi seu primeiro lançamento e um grande sucesso, algo que facilitou o encontro com investidores, sendo o maior deles um estúdio de animação chamado Amito. Em algum momento do final dos anos 2000, não se sabendo como, eles acabaram entrando para o time da Grigon.


Grigon: Bons tempos (que não perduraram)
Logo de Seal Online

Criada em 1998 e tendo Jo Byeonggyu como seu presidente, a Grigon procurou por alguns anos estúdios que considerava promissores e, nesse meio tempo, adquiriu dois que já eram familiares: Mira Space e Garam & Baram. Esta última que já estava mais experiente, tendo contribuido com a IntoCore e a VSCom (site de notícias esportivas).


Vale ressaltar que o diretor de arte da Grigon, Kim Mugwang, afirmou que Jo Byeonggyu escolheu a Garam por já conhecer seu trabalho e gostar de seus jogos. Depois de muito tempo, a equipe da Garam finalmente teve um salário fixo e se tornou o segundo time principal da empresa.


O ano de 2002 é uma névoa profunda por não se saber ao certo o que aconteceu dentro da empresa. As equipes da Grigon continuaram trabalhando em seus projetos independentes mesmo quando envolvidas em um jogo chamado 3D Shadows, nunca lançado e quase sem registros.


Chegamos então em 2003, que foi, nada mais e nada menos que o melhor em sua história. A beta de Seal Online, baseado no mundo da Garam & Baram, foi lançada lança e obteve um sucesso tremendo. Chega a ser irônico como um dos seus maiores fracassos se tornou uma galinha dos ovos de ouro, até que outro MMO foi lançado.


Fusionfall: Fórmula do Sucesso (e fracasso).
Cartoon Network Universe: Fusionfall (2009)

Por mudanças de gerenciamento, os direitos de Seal e outras franquias foram vendidos e tudo o foco foi alternado para o desenvolvimento de um novo grande projeto de escala global, um MMO baseado em World of Warcraft com visual oriental, rock e personagens da Cartoon Network da era City (aqueles curtas que passavam na cartoon onde todos os desenhos viviam juntos).


Tendo a Unity como motor gráfico, o MMO foi pensado para ser jogado no navegador para que qualquer um pudesse aproveitar o título. Com isso em mente, no ano de 2007 foi lançado e distribuído um mangá promocional chamado Fusionfall: Worlds Collide na Comic Con do mesmo ano. Durante o evento o jogo foi anunciado com um trailer que declarava 2008 com o ano de lançamento.


Worlds Collide serviu também como uma visão anterior ao que veríamos no jogo final. O melhor exemplo disso é o Ben 10, apresentado como o clássico no mangá enquanto no jogo estava em sua versão de Força Alienígena.


Algum tempo depois, as primeiras demos foram disponibilizadas para o público: apesar de se diferenciar pelos elementos de plataforma e pela presença dos personagens da Cartoon, no fim o jogo era “só” mais um MMORPG em terceira pessoa por mensalidade. Foi adiado diversas vezes e muita coisa foi cortada em sua versão final. Na época sua recepção foi mista, ainda que muitas crianças se animassem.


Em 2009 a Grigon faliu após entrar na bolsa de valores e os direitos caíram nas mãos da Cartoon, que o disponibilizou gratuitamente, mesmo com propagandas. Os antigos eventos foram diminuindo até que em 2013 o jogo foi, enfim, encerrado.


A Garam & Baram sempre foi uma equipe que demonstrou carinho em seus projetos ao ponto de aceitar condições precárias de trabalho apenas para transformar eles em realidade. Mira Space demonstrou habilidade mesmo em um ambiente emprestado por outros e mesmo que seguissem tendências, possuía uma identidade clara.


E, por fim, temos a Grigon, uma das maiores e mais importantes empresas para a Coreia do Sul dentro do mercado de jogo que se popularizou pelo trabalho em jogos online graças a acessibilidade mercadológica, mas que fracassou por se perder em seu próprio foco.


Editado por Maya Souza


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