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Brasil Game Show 2025: Entrevista com desenvolvedores de Lost Letter, da Candeia Studio!

Desenvolvedores da Candeia Studio
Desenvolvedores da Candeia Studio

Eventos como a Brasil Game Show sempre conseguem nos surpreender, especialmente quando o assunto é a Ala Indie. É ali que a criatividade e a emoção se encontram de um jeito que marcam profundamente a nossa memória e forma de entender os jogos. Pra mim, um dos maiores exemplos dessa emoção foi conhecer a Candeia Studio.


Estúdios como a Candeia, que nasceram de ideias de game jam e colocam sentimento e história em cada pixel, sempre conquistam o meu coração. Sou uma pessoa emotiva, e acredito que videogames são, acima de tudo, uma forma poderosa de contar histórias... e as histórias que eu ouvi por lá foram simplesmente lindas.


Confira agora a entrevista que eu e Guilherme Alvarince preparamos, falando sobre os jogos Lost Letter e Seth Slays Everybody.


ENTREVISTA COM william carvalho, artista e musicista DA CANDEIA STUDIO

de onde surgiram as ideias iniciais de lost letter e seth slays everybody?

Lost Letter surgiu depois que nós fizemos uma game jam internacional. Ele era só um joguinho simples onde você tinha que achar uma pessoa, nenhuma daquelas outras atividades existiam, mas nós recebemos um feedback muito legal e positivo sobre o jogo, além de muitos views e o pessoal falando que estava jogando e gostando. Então nós pegamos o jogo que nós tínhamos criado para a game jam, ficamos trabalhando nele mais ou menos um mês e pouquinho, até ele ficar no estado que está agora. A gente já tem mais algumas ideias para colocar nele, que a gente vai dar updates futuros, mas ele já está na Steam já faz um mês, mais ou menos, alguma coisa assim. 


pelas reviews da steam, O pessoal está super empolgado, gostaram muito do loop e daquele sentimento da gente se encontrar, e de como ele é rápido. essa ideia de fazer uma coisa rápida foi pra caber no dia a dia, pra ele ser bem cosy game mesmo?

Sim. Na verdade, isso não é só do Lost Letter, todos os jogos que a gente pensa são com intenção de ser uma coisa um pouco mais rápida em que a pessoa consiga terminar em uma sentada só, ou então conseguir aproveitar o máximo do tempo que ela tem. Sem precisar ficar com muita enrolação, sem ficar colocando muita coisa pra deixar o jogo mais pesado, sabe? Mas essa é a nossa ideia, fazer os jogos menores focados em história, porque a gente gosta muito dessa parte, tanto que a Karol é a nossa escritora. E para que as pessoas consigam se conectar com os jogos. E que elas possam jogar o tanto que elas quiserem. 


NO SETH SLAYS EVERYBODY, A GENTE VIU QUE ELE TEM VÁRIOS NÍVEIS E QUE ELE VAI PROGREDINDO COM O TEMPO. QUANDO VOCÊ FOI TESTAR O JOGO, ATÉ ONDE CHEGOU?

Eu não sou muito bom em tower defense, mas depois de um tempo, como a gente mais ou menos sabe os macetes, a gente sabe quais são as melhores skills, quais são as melhores armadilhas, então a gente consegue chegar praticamente no final assim, sem problema. Mas eu não sou muito bom, então eu morro muito fácil também.


E FALANDO DE ARTE, FALANDO SOBRE A QUESTÃO DOS SELOS, A GENTE TÁ VENDO O DESUSO DAS CARTAS COM O PASSAR DO TEMPO, MAS ELAS VIRARAM UMA COISA VOLTADA PARA O AFETO TAMBÉM. EU ESTAVA FALANDO QUE SAIU UMA REPORTAGEM HÁ TRÊS DIAS ATRÁS PELO GLOBO REPÓRTER FALANDO SOBRE O USO DAS CARTAS E SOBRE ESSA PRÁTICA DE CUIDAR E DE TER SELOS. DE ONDE VEIO ISSO? FOI UMA COISA PESSOAL DE VOCÊS? E OS SELOS? ELES SÃO DE ALGUM PAÍS OU ORIGINAIS?

Então, essa coisa dos selos e das cartas, foi da mente do Gabriel mesmo. Ele que teve a ideia principal de você ter uma carta e essa carta ser entregue para alguém que está num mundo que você não sabe onde essa pessoa está, nem o país, nem a cidade. E a gente começou a construir em volta disso. A parte dos selos, a gente começou a construir essa ideia juntos e nós temos, se eu não me engano, são 130 países que estão dentro do jogo. Todos eles têm selos e todos os selos são dos países mesmo.


E são selos originais. Foi um baita de um trabalho de pesquisa pra gente não pegar um selo que às vezes não existe, então todos os selos são autênticos mesmo. Justamente porque a parte da game jam, que nós tiramos a ideia do Lost Letter, era algo cultural, né? Era trazer essa conexão entre os países e o selo caiu como uma luva, não só a parte de esperar ganhar o dinheiro, pra poder aumentar a velocidade de pesquisa, de ser alguma coisa que a pessoa tenha e colocasse na cartinha, ou tenha e guardasse na gavetinha que nós implementamos, para realmente ser algo colecionável.


Tanto que a gente tem uma abinha colecionável de todos os selos que tem no jogo, então é mais esse sentimento de “Ah, eu consegui esse selo, aí vou jogar mais uma vez para ver se eu consigo outro” porque você não consegue nem um terço deles jogando uma vez só. Às vezes pesquisando o mesmo país você pode conseguir um, ou pode conseguir o mesmo. Então você tem que jogar várias vezes para que você consiga colecionar tudo. 


E QUAL O SEU SELO FAVORITO?

Eu gosto muito dos selos da Nova Zelândia. Por causa da cultura maori, eles têm uns selos muito interessantes. Com umas coisas bem tribais, são selos muito bonitos mesmo. 


Seth Slays Everybody | Reprodução: Candeia Studio
Seth Slays Everybody | Reprodução: Candeia Studio
ENTREVISTA COM KAROLINE GARCIA, NARRATIVE DESIGNER DA CANDEIA STUDIO

DE ONDE SURGIU A SUA VONTADE DE FALAR DE HISTÓRIAS EM JOGOS?

Na verdade eu sempre gostei muito de escrever porque é onde eu consigo me comunicar melhor, porque eu não sou muito boa de conversar com pessoas (risos). Então eu gosto bastante de escrever, desde pequena eu escrevia fanfics. E quando o Gabriel me chamou no final do ano passado pra fazer algo relacionado a jogos, foi onde eu falei, “parece ser legal”. Aí o maior desafio pra mim tá sendo um pouco misturar a narrativa com o jogo em si, sabe? Fazer algo mais imersivo. Ainda tô aprendendo essa parte.


e falando sobre o cenário feminino hoje, como você vê a perspectiva das mulheres poderem estar nos jogos? a gente vê hoje que tem poucas nos estados, e quanto tem, às vezes fica meio perdida na história. o que você vê no futuro?

No momento, eu me sinto um pouco intimidada ainda. Mas parece que a qualquer momento vai vir alguém e falar “você é poser, você não deveria estar aqui”. Mas, de todo jeito, eu acho legal você ter um lugar. Hoje em dia, incrivelmente, não está sendo como eu imaginava que seria. O pessoal aí é bem acolhedor, principalmente aqui em São Paulo, o pessoal foi muito receptivo, muito inclusivo, coisa que não se tem tanto no interior.


de onde vieram as ideias tanto para lost letter quanto para o seth slays everybody?

O Seth foi algo momentâneo, porque nós nunca tínhamos participado de uma game jam e pegamos um sorteador de temas aleatório na internet e fomos brincando com a ideia de uma noite pra outra. Depois de alguns meses a gente falou “vamos fazer isso?”. Eu sempre gostei bastante de mitologia egípcia então achei legal essa desavença entre Hórus e Seth então foi onde veio a ideia principal.


Agora sobre o Lost Letter... foi sobre conexões, mas foi por causa de uma game jam que nós fizemos ele. O tema era colagem e foi onde veio a ideia de fazer algo rápido, mas também com uma história mais aprofundada. Então uma carta aleatória sendo achada numa praia sem o endereço do destinatário, sabe? Isso é bem legal e dá pra fazer a pessoa viajar bastante. Fora que dá para conectar um pouco tudo porque fala de vários países, então eu acho bem legal mostrar um pouco de tudo também. 


se você fosse escrever uma carta pra qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, o que e para quem seria?

Puts! Hoje eu escreveria para o meu noivo mesmo.


esse pelo menos não tá perdido, né? você vai saber encontrar direitinho. ia ser uma carta de cobrança ou uma carta fofa?

Acho que eu tentaria escrever em palavras o que eu sinto por ele, porque eu não consigo expressar direito. 


Lost Letter | Reprodução: Candeia Studio
Lost Letter | Reprodução: Candeia Studio
ENTREVISTA COM GABRIEL GARCIA JERICÓ, GAME DESIGNER E PROGRAMADOR da candeia studio

A JORNADA Do lost letter é baseada em encontrar o seu lugar no mundo, né, e nesse caminho você tem que encontrar várias cartas. como foi o processo de criação e desenvolvimento dessas ideias?

A gente queria participar de uma game jam chamada Crossing Latitudes e o foco deles era colagem, e eu falei “como que a gente pode estar mostrando algo com colagem?”. Aí eu tive uma ideia, a primeira ideia, era de uma carta que seguia sozinha no mundo inteiro colecionando os selos. Eu fui falar pro pessoal sobre essa ideia, sobre o estilo do Idle Incremental, que também é um tipo de jogo diferente, né? Não tem tanto holofote assim. E a minha querida Karol, falou pra gente dar uma refinada, dar essa profundidade que você falou no começo.


A minha cabeça funciona muito para jogos, então foi uma sinergia entre nós, da equipe, para a gente conseguir dar essa profundidade na história e de se achar. E também fazer as pessoas se encontrarem. Por exemplo, a gente tem uma história lá dentro do jogo, uma das mais de dez, que são fatos reais. Uma mãe que nunca conseguiu ver a filha e ela entrega uma carta. Então a gente queria mostrar um pouquinho disso e também com um pouco de diversão, porque a pessoa pode tanto trabalhar e jogar, quanto também só colecionar selos. A gente fez uma curadoria de mais de mil selos diferentes, de mais de 100 países, então foi uma delícia fazer o jogo. 


foi você quem junto o grupo pra fazer o jogo?

Sim! Eu criei a Candeia porque eu já estava fazendo jogos, mas é impossível fazer isso sozinho sem ficar louco, então eu chamei eles. A Karol, ela é minha irmã, então a gente tem uma sinergia maior. A gente conversou com o Will também, que é a parte artística do jogo, que veio também para agregar, para a gente não ficar desfalcado. A gente realmente tem uma sinergia muito boa. E a gente precisava disso. Eu, pelo menos, precisava disso. A gente fica muito preso em nossos mundos. O Lost Letter foi o primeiro que a gente lançou, então fez muito sentido a gente ver que mundos sozinhos não rodam. A gente fica muito feliz de ter feito isso tudo junto.


O Lost Letter já, entre aspas, nasceu com muito conteúdo, muitas histórias pra contar, uma quantidade muito grande de selos. Muita coisa foi adicionada recentemente no jogo. A gente queria saber se a gente pode esperar ainda mais atualizações pra gente continuar viciado no jogo.


Pra você ter uma noção, a gente tem aqui já uma atualização pro pessoal jogar que não foi adicionada na Steam pra gente mostrar um pouco de exclusividade, que são pessoas que param enquanto você tá pesquisando ela, essas próprias pessoas acabam parando você e perguntando coisas, tipo, “Qual foi o último país que você esteve?”. Ou ajuda geográfica mesmo, falando sobre animais, “Eu gosto muito de guepardos, em qual país que aparecem guepardos?”.


Então, assim, é um pouco mais de cultura também. A gente quer adicionar também, no futuro, as histórias dos selos. Porque todos eles tem muita história. Por exemplo, a gente selecionou muitos países da África que foram colonizados por países da Europa. E a gente tirou os selos que estavam com a colônia europeia pra dar a identidade deles. É muito sobre luta. É muito bonito isso.


Como a gente fez isso tudo em três meses, a gente acabou não conseguindo acrescentar isso no jogo. Mas a gente quer muito adicionar novos conteúdos, novas histórias também, e até possivelmente alguns modos diferentes. Como na semana retrasada, a gente atualizou o jogo com o modo roguelike em que você monta cartas de outras pessoas que ouviram falar sobre você e que querem que você deixe elas bonitas. Então a gente deixou mais de 80 cartas ali, muito bonitinhas, para a pessoa conseguir estar passando o tempo enquanto procura a pessoa. 


agora a pergunta que não quer calar. o gatinho preto é real?

Sim, eu tenho o meu querido Litten é o meu gatinho preto. Quando estava fazendo o jogo eu não tinha contado para eles sobre o Tamagotchi e eu olhei para o jogo eu falei “nossa podia ter algum parceirinho né? Alguém que fica ali no jogo junto comigo”. Aí quando eu olhei para o lado eu vi meu gato Litten, que é um Pokémon se vocês não sabem, mas é um Pokémon gato preto. E aí eu falei, “pô, eu vou colocar ele”. E aí ele acabou sendo um um charme do jogo. Eu tirei algumas fotos para deixar ele um pouco mais estilizado dentro do jogo, então foi bem gostosinho a gente inserir ele. Ele é irmão de mais sete gatos que eu tenho. Eu tenho quase um zoológico em casa, eles são os meus filhinhos que eu mais amo.



Entrevista realizada e redigida por Iara Vilela e Guilherme Alvarince, editado por Emílio Júlio.



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