Brasil Game Show 2025 — Entrevista com Junior Capela, representante da Bitnamic no Brasil!
- Max Fernandes
- 13 de out
- 5 min de leitura

Na Brasil Game Show 2025, visitamos o estande da Bitnamic para conversar com Junior Capela, representante da empresa no Brasil, sobre os jogos apresentados na feira.
Dentre as muitas ideias apresentadas no espaço, falamos sobre o processo de logística para trazer jogos clássicos, os sentimentos que esses jogos evocam e a trajetória da Bitnamic e do próprio Junior. Confira:
Como foi o contato especificamente com o pessoal de Portugal para trazer o Alentejo?
A Bitnamic é uma empresa luso-brasileira. O Alentejo foi lançado em Portugal. O Felipe, que é o CEO da Bitnamic lá em Portugal, é envolvido diretamente com o jogo, e aí simplesmente estamos trazendo para cá. A ideia é lançar em cartucho para Game Boy realmente, tivemos um problema no Brasil porque não achamos quem fizesse os cartuchos, mas a ideia era já tê-los aqui.
Lá em Portugal, essa parte do Game Boy é mais desenvolvida, eles conseguiram fazer muito fácil, mas pra gente trazer para cá o cartucho pronto, hoje está muito difícil, então temos que fazer por aqui. A ideia é realmente lançar o jogo por aqui, como foi feito lá.
Vocês são uma empresa muito voltada a Retro Gaming, né? Eu acho um modelo de negócios interessante, mas existe uma dificuldade muito grande porque a galera não faz mais a tecnologia. Como funciona o processo de logística para trazer um jogo de Atari de volta hoje em dia?
Hoje tá mais fácil, por incrível que pareça, de fazer as coisas acontecerem. Um amigo nosso, na pandemia, não tinha nada para fazer e foi estudar como fazia jogo para Atari. Já são quatro jogos e ele está lançando mais um esse ano. As últimas três BGS tivemos lançamento de jogo para Atari e esse ano tem mais um.
Tem muita gente que faz isso, a gente tem um cartucho pra gente, eu mando o programa para ele e ele me manda o cartucho prontinho, a gente só cola a etiqueta e tá pronto. Tem dificuldades, pra o Game Boy por exemplo a gente tem bem menos pessoas mexendo com isso. Até achamos pessoas que fazem, mas bate na limitação de hardware, tem que acertar para funcionar.
De todo console é assim? Um cartucho de Mega Drive vocês conseguem produzir de boa?
A gente já fez em 2023 um lançamento para o Mega Drive um cartucho bonitinho sem problema. Alguns são mais fácil, Atari a gente conhece vários que fazem, Mega Drive é um ou outro que faz, mas tem quem faça, então conseguimos produzir isso ainda.
Agora, com relação aos jogos. O Calebe Adventure é uma história sobre pais e filhos. Como foi receber o pitch desse jogo? Mexeu com você em algum nível? Como você se convenceu de lançar?
Na verdade o programador, o Paulo, é amigo nosso há muito tempo, a gente já se conhece. Ele é programador e começou a brincar com isso por causa do filho dele, que é autista e começou a se interessar por videogames e coisas antigas, né? E aí achamos interessante e fomos conversar com ele. Ele está fazendo o jogo e a gente acompanhando, inclusive eu sou o beta tester dele.
No Canal 3 ele levou para mostrar, não tinha nada mostrável, daí eu conversei com ele e ele já fez uma demo jogável para o pessoal começar a brincar e entender. Nessa demo jogável eu já achei um monte de bugs porque acontece e ele já corrigiu, já está funcionando. Ele trouxe para cá para conhecerem o jogo e é outro lançamento que a gente deve fazer em breve.
E vão ser cartuchos em MSX, temos quem faça os cartuchos também, então a gente vai desenvolvendo. Quem tá no meio e participa dos grupos sabe do que cada um está fazendo, então vamos conversando e pegando casos como o do Calebe Adventure.
Faz quanto tempo que vocês trabalham com jogos? Eu sei que na Bitnamic, mas há quanto tempo com videogame mesmo?
A Bitnamic tem seis anos, começou em 2019, mas eu com videogame já tenho 30, 40 anos mais ou menos. Eu sou da época do Atari, do Telejogo, já brincava com isso, e só unimos a paixão da época com as coisas novas. Infelizmente não vivemos disso, bem que gostaríamos, mas fazemos essas coisas para relembrar um pouco a infância.
Outro ponto que a Bitnamic tem também é o de preservar essas mídias antigas. A ideia da Bitnamic é lançar essas coisas em mídia original, cartucho para Atari, para MSX, fita cassete... E fazer alguma coisa historicamente para manter isso registrado.

Agora que você falou sobre como é a ideia de resgate... Vocês estão publicando o retorno do Incidente em Varginha, né? O que esse jogo significa para vocês, significou na época e significa agora? Vocês tem contato com os desenvolvedores originais? Como foi essa ideia de trazer o Varginha de volta?
A gente conhece, né? Depois da época, passamos a conhecer muita gente que estava envolvida na época. Conhecemos os autores do jogo, um dos primeiros lançamentos que a Bitnamic fez foi um porte do Incidente em Varginha, porque ele foi feito para rodar em DOS e as máquinas de hoje não rodam, então fizemos uma adaptação do jogo em CD emulando o DOS para funcionar no Windows.
Agora a gente está fazendo remasterização para lançá-lo 100% jogável no Windows sem precisar emular, é o que está sendo desenvolvido e provavelmente em dezembro deve ser lançado.
O remaster está sendo feito com anuência dos desenvolvedores, não estamos fazendo por fazer. Eles estão acompanhando, tem um programador trabalhando em contato direito com eles para manter toda a originalidade do jogo só trazendo a programação para os dias de hoje. O jogo não, o jogo continua lá em 2003 quando ele nasceu.
Qual jogo da Bitnamic em todos esses seis anos de trabalho é o que você pessoalmente considera o seu queridinho?
Eu acho que o jogo mais assim é o Em Busca dos Tesouros por toda a história que ele tem. Ele foi considerado perdido por muito tempo, tem toda uma história de como ele foi recuperado, daí a gente publicou na versão original para TK e o ano passado portamos para o Atari. Foi uma coisa bem legal porque o autor do jogo e o autor da conversão estiveram juntos, o autor do jogo achou sensacional a conversão para o Atari, então por toda a história que ele tem, eu acho o jogo mais interessante que a gente tem. Todos os jogos são legais, mas esse é realmente um ponto fora da curva.
Entrevista realizada e redigida por Max Fernandes e Guilherme Alvarince e editado por Júlia F. Cândida.
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