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The Rogue Prince of Persia é um roguelike irado e sem excessos — Análise

The Rogue Prince of Persia | Reprodução: Ubisoft

Não sou alguém que possa se considerar o maior dos fãs de Prince of Persia. Nunca zerei nenhum jogo da franquia e não tenho muita afinidade com os títulos de PS2 que os gamers tanto amam, no máximo, o Sands of Time, porque eu decidi jogar numa época que tinha um computador que aguentava pouca coisa (e minha época de PC batata é meu maior motivador das coisas que escrevo aqui). Sequer encostei no reboot de PS3 e Xbox 360 e nem na "cópia esquisita" de Tomb Raider que saiu em 99. Nenhum dos títulos em 3D são tão marcantes para mim, talvez porque o loop de gameplay não me empolgue muito ou devido ao mundo e suas tramas nunca terem sido tão interessantes, por mais que goste muito de histórias ambientadas em regiões do oriente médio. Bom, por mais que não ache a parte 3D dessa série marcante, a história é bem diferente quanto ao jogo original de DOS. 


Eu não sei explicar muito bem o que tem nesse jogo que me agrada tanto. Decerto é uma experiência muito intrigante e existem diversas coisas que se destacam nessa primeira estreia: a progressão enigmática nas masmorras, cheia de armadilhas e plataformas para trespassar, a movimentação estranhamente precisa e que se utiliza de motion capture para trazer um realismo muito curioso para a época, além de ser um jogo muito punitivo com um combate charmosamente brutal, tudo isso enquanto impõe um cronometro de 60 minutos para salvar a princesa. É um sidescroller único que faz muito com pouco, sem muitos jogos inspirados no seu conjunto de mecânicas, até mesmo dentro de sua franquia. O mais próximo que encontrei foi o indie Hidden Deep que também se aproveita de controles precisamente realistas, só que no contexto de um terror espacial.


Em contrapartida, não há dúvidas de que eu sou um apreciador dos títulos que a Evil Empire tem uma parcela de envolvimento, pelo menos na parte das DLCs de Dead Cells. Já confessei em textos anteriores que não gosto de roguelikes em geral, mas tenho algumas passadas de pano. Dead Cells é uma delas ainda que eu saiba que ele me agradaria mais em uma realidade alternativa em que o jogo fosse linear, mas vou me abster de avaliar sobre algo que Dead Cells não é. Fato é que, sua estrutura não me agrada, mas certamente amo o fluxo de combate extremamente rápido e visceral que sabe recompensar as builds roubadas e com uma porrada de armas com gameplay diversificadas para que cada run tenha uma abordagem diferente. O sistema de boost de velocidade te mantém dentro do fluxo veloz de tomada de ações e é provavelmente uma das minhas mecânicas favoritas de videogame. Eu sonho por mais jogos de ação me permitam ser uma força imparável como aqui.


Dead Cells | Reprodução: Motion Twin

Apesar disso, reconheço que ele pode não ser um jogo para todo mundo. Ele é uma completa bagunça visual enquanto em combate, é exaustivamente punitivo tanto sua movimentação quanto dos inimigos e fazer uma build ideal pode ser uma tarefa meio burocrática. É um tipo de jogo que exige muita dedicação para aproveitar a variedade de sua jogatina, grindar todos os poderes e armas e enfrentar todos os tipos de desafios propostos. Dead Cells tem uma infinidade de conteúdo que o jogo não vai te entregar facilmente, há muito o que se explorar e completar.


Essa introdução não é à toa, a Evil Empire em parceria a Ubisoft anunciou um novo título para a franquia Prince of Persia no evento da Triple-I Initiative, esse sendo a segunda volta de um sidescroller da franquia somente esse ano, já que em janeiro havia saído Prince of Persia: The Lost Crown, coberto aqui no GDH pelo querido Angelo Mota. Enquanto esse é um metroidvania em sua totalidade, The Rogue Prince of Persia prefere trilhar um caminho bem ao estilo de Dead Cells e, para ser sincero, esse jogo essencialmente é uma nova roupagem de seu antecessor, mas vamos entrar em detalhes a seguir.


AS BOLAS DO TEMPO
The Rogue Prince of Persia | Reprodução: Ubisoft

Enquanto o Príncipe esteve fora a Pérsia foi atacada por uma tribo nômade de Hunos, cabe então a você salvar seu povo. Acontece que, como é de se esperar, não será um desafio fácil. Ao morrer, nosso protagonista é salvo pelo artefato mágico que leva consigo, a Bola, capaz de voltar no tempo para uma noite num acampamento alguns dias antes do ataque. Nisso, eu posso adentrar na dinâmica do jogo: você passa por fases geradas proceduralmente, pré-definidas quanto aos estilos de desafios de plataformas e inimigos que te aguardam. No meio das fases, você pode encontrar segredos e tesouros que te proporcionam desde armas com os mais diversos estilos e status diferentes ou até mesmo dinheiro ou projetos de itens primários e secundários que são desbloqueados ao passar de uma fase. Para um tráfego de backtracking mais dinâmico, há pontos de teleporte em vários lugares da fase, podendo ir de um ponto para o outro rapidinho. Ao passar por duas fases, o príncipe tem que enfrentar o chefe da vez.


Bom, para quem já está inteirado no gênero, podem ver que eu apenas descrevi Dead Cells. The Rogue Prince of Persia vai ser uma mão na roda para quem já conhece essas bandas, mas não quer dizer que o novo título da Evil Empire não tenha suas particularidades. Para começar, sabem quando indaguei que eu gostaria de ver mais um PoP sidescroller de movimentação mais metódica como no original? Bem, podemos dar check que é um jogo 2D, mas sabiam que esse jogo tem uma movimentação parecida com os jogos 3D? Pois é, vamos entrar em detalhes.


Começando pelo combate, digo que The Rogue se assemelha bastante às mecânicas de duelos dos jogos 3D da franquia como Sands of Time. Curiosamente, sua movimentação se difere de muitos sidescrollers de ação modernos, até mesmo Dead Cells, em que ao invés de optar por um grande foco em desvio por rolamentos ou algum tipo de dash com iframe, a única forma de esquiva em The Rogue é pulando por cima dos inimigos e isso se o ambiente não estiver ao seu favor para ficar escalando pelas paredes. É uma diferença curiosa, já que você não terá como spammar o botão de rolamento para ter certeza que não vai tomar uma pancada, então as lutas estão num bailar mais metódico quanto a forma que você deve confrontar os hunos.


The Rogue Prince of Persia | Reprodução: Ubisoft

Além de ataques leves e pesados, há um chute que empurra os inimigos e pode atordoá-los se bater contra uma parede ou um outro soldado. Somando as acrobacias que você fará com as plataformas — que se parecem com o tipo de desafio que você veria em, veja só, Dead Cells — você tem um leque de movimentos bem interessantes para compreender e dominar. Você pode acabar se embananando na movimentação no começo, até porque eu não lembro de um jogo do seu nicho brincar com escaladas e camadas do cenário dessa maneira. Felizmente, por mais o jogo que soe mais lento e preciso e o dano aqui machuque bastante (por vezes além da conta), não o considero tão punitivo.


E claro, você pode dropar as mais diversas armas, status aleatórios e até mesmo um sistema estranho de amuletos que esse jogo pega e aprofunda de Dead Cells, com a novidade de um gerenciamento em que tais itens devem ser bem posicionados para dar um upgrade específico, mas admito que nunca entendi muito bem essa parte. Para cada run também é possível dropar almas dos inimigos para trocar por desbloqueio de itens ou upgrades permanentes ao voltar pro hub depois de morrer, mas isso se você achar um recipiente que transfere as almas para você no cenário, o que é bem sacana. Prefiro mais a praticidade de coletar e farm de almas de Dead Cells, onde a mecânica foi inspirada.


Bom, não é exatamente tão parecido com o Prince of Persia clássico quanto eu realmente queria, mas o louco sou eu! O jogo é bem funcional e satisfatório de jogar, não tenho dúvidas. Eu curto especialmente como ele parece um jogo menos pesado mecanicamente e de informação na tela que Dead Cells, o que pode ser uma ótima pedida para quem quer uma jogatina mais casual e se sinta intimidado com a apresentação explosiva do grande hit do estúdio.


The Rogue Prince of Persia | Reprodução: Ubisoft

Falando em apresentação, não posso dispensar sobre o quanto The Rogue Prince of Persia é um deleite para os olhos que sabem apreciar devidamente uma obra de arte tingida em mãos humanas. O caminho para Pérsia, por mais violento que seja, apresenta uma beleza graças a uma direção de arte tomada por ilustrações vibrantes e chamativa aos olhos, e devo já dizer que esse jogo para mim tem o melhor visual do príncipe, até porque ele parece mais alguém de características iranianas do que nos outros títulos - ainda que os iranianos não sejam rosas. Apesar disso há o problema inerente do gênero de todo visual acaba ficando meio repetitivo e toda a coisa de cenário gerado proceduralmente acaba não criando nada devidamente único, apesar de alguns padrões de áreas.


A trilha sonora também é agradável, apostando numa mistura de um instrumental tradicional mais épico para um eletropop moderno. Faz sua função de empolgar para a empreitada, mas nenhuma música vai te fisgar muito mais do que sua primeira ouvida. 


No fim, The Rogue Prince of Persia, para um jogo de acesso antecipado, é mais uma demonstração já plenamente sólida de que a Motion Twin sabe como fazer jogos divertidos. Há muito a se esperar ainda, como um maior desenvolvimento da história que até onde eu joguei certamente é uma coisa que estão se preocupando em cuidar, mas não há nada a realmente a se prender por agora. Apesar de ainda não haver todas as fases e qualquer outro conteúdo que vá ter no futuro, vi algumas críticas tecendo que jogo ainda não tem conteúdo o bastante, e, pode soar bizarro o que vou dizer, mas eu gosto da ideia que ele seja mais simples nessa grande leva de roguelites massivos e com um imenso fator replay e construções de build. The Rogue é talvez um dos mais simples que joguei do gênero, e sinceramente fico feliz.


Entendo que para o jovem dinâmico um amontoado de luz piscante com números imensos e uma necessidade de resposta constante nos controles possa soar muito tentador, e é, mas as vezes coisas mais grounded como esse príncipe da pérsia são muito bem vindo até mesmo para introduzir pessoas a esse gênero desgraçado. Mal posso esperar para quando esse jogo ficar com mais conteúdo, mas espero que não seja tanto a ponto de desvirtuar essa imagem que tenho de Rogue: um roguelite com essência de Prince of Persia com um tempero de Dead Cells, acessível e descompromissadamente divertido. Ainda não sou aficionado pelo príncipe da persia, mas para mim o mais simples e singelo sentimento do “é divertido” já basta.


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